Como precificar uma coleção de moda atacado sem afundar a margem
Markup cego mata negócio. Veja o método de 3 camadas que separa lojistas de revendedores e ainda blinda sua margem em queda de venda.
Quase toda confecção de atacado precifica errado pelo menos uma vez por coleção — geralmente quando a planilha de custos foi feita por intuição, não por estrutura. Aqui está o método que reduz esse risco a quase zero.
1. Comece pelo custo real, não pelo preço de venda
O ponto cego mais comum: somar só tecido + aviamento + mão de obra. O custo real de uma peça inclui:
- Custo direto: matéria-prima, mão de obra, embalagem.
- Custo de coleção: modelagem, ficha técnica, prova de peça, marketing inicial.
- Custo operacional rateado: aluguel, energia, sistemas, equipe administrativa.
- Reserva técnica: 5–8% para perda, devolução e ajuste de tamanho.
Sem rateio dos três últimos, seu markup vai parecer ótimo na planilha e ruim no fim do mês.
2. Use markup variável por canal
Atacado puro, atacado-multimarcas e venda direta ao consumidor são três jogos diferentes. Aplicar o mesmo markup pra todos os três é deixar dinheiro na mesa ou perder revenda.
Tabela base sugerida
- Atacado puro (lojista que compra 30+ peças): markup 2.2x a 2.5x sobre custo real.
- Multimarcas pequena (10–30 peças): markup 2.6x a 2.9x.
- D2C (venda direta no seu showroom/site): markup 3.5x a 4.5x — sem canibalizar o lojista, manter posicionamento.
Se o markup D2C ficar menor que o do lojista somado à margem dele, você perde a revenda na próxima coleção. Sempre.
3. Reprecificação no meio da coleção
Acompanhe semanalmente o sell-out por SKU. Peças com giro alto e estoque baixo podem subir 5–10% sem queda significativa de venda. Peças com giro baixo e estoque alto precisam de gatilho rápido — bundle, brinde ou queima controlada.
Checklist de revisão
- Semana 1–2: foto, posicionamento, divulgação.
- Semana 3–6: análise de sell-out + ajuste fino.
- Semana 7+: estratégia de saída pra liberar capital pra próxima coleção.
O erro fatal
Subir preço só no fim da coleção quando o cliente já decorou o ticket inicial. Reprecificar é um processo contínuo, não um evento.
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