Curva de tamanhos e grade: como montar pra não sobrar estoque
Grade errada é encalhe garantido: sobra o que não veste e falta o que vende. Veja como montar a curva com dado, não com achismo.
Toda sobra de estoque conta a mesma história: curva de tamanhos e grade montadas no achismo. Curva é decisão de dados — e é das poucas coisas na confecção que dá pra acertar quase sempre, porque o seu próprio histórico entrega a resposta.
O que é a curva de tamanhos e grade (e por que erra tanto)?
Curva é a proporção de cada tamanho dentro da grade (ex: P-M-G-GG em 1-2-2-1). O erro clássico é usar a mesma curva pra todo produto e todo cliente — mas vestido justo e camisetão oversized vendem tamanhos diferentes, e cada região tem um corpo médio diferente.
Monte a curva com o SEU dado
- Puxe a venda por tamanho dos últimos 2-3 lançamentos por tipo de peça.
- Olhe a sobra por tamanho — ela mostra o excesso da curva anterior.
- Ajuste a proporção: a curva nova = venda real, não a grade que você produziu.
- Separe por perfil de peça (justa × solta × alfaiataria) — cada uma tem curva própria.
Exemplo de leitura
| Tamanho | Produzido | Vendido | Leitura |
|---|---|---|---|
| P | 25% | 15% | Excesso — encolher na próxima curva |
| M | 25% | 30% | Faltou — aumentar |
| G | 25% | 32% | Faltou — aumentar |
| GG | 25% | 23% | Quase certo — manter |
Grade fechada × grade aberta
Grade fechada (curva fixa por pacote) simplifica a produção e proteje a proporção; grade aberta converte melhor com lojista experiente que conhece o público dele. Muitas confecções vencem com o meio-termo: grade fechada na primeira compra, aberta na recompra.
Estoque parado quase nunca é "coleção que não vendeu" — é tamanho errado da peça que vendeu.
A curva é um dos pilares do planejamento de coleção — e impacta direto a margem: sobra de grade é desconto futuro.
Curva por região e por perfil de cliente
Depois de dominar a curva geral, refine por recorte: a mesma peça vende proporções diferentes em regiões diferentes, e lojista de boutique pede curva distinta do lojista de loja de departamento popular. Se um recorte representa parte relevante da sua venda, vale curva própria — é ajuste fino que reduz encalhe na ponta e falta na outra.
O caminho prático: agrupe os pedidos por tipo de cliente ou região nos últimos lançamentos e compare a venda por tamanho de cada grupo. Diferença consistente acima de alguns pontos percentuais justifica grade separada; diferença pequena não paga a complexidade extra na produção.
Reposição: a segunda chance da curva
A grade inicial é hipótese; a reposição é onde o dado corrige. Nas primeiras duas semanas de venda, a proporção real por tamanho já aparece — reponha seguindo essa leitura, não a curva original. Confecção que repõe "igual ao lote inicial" repete o erro da hipótese; quem repõe pelo realizado transforma a reposição em máquina de acerto contínuo.
Pra isso funcionar, produção e comercial precisam olhar o mesmo relatório na mesma semana — velocidade de leitura é o que faz a segunda chance existir.
Perguntas que a curva responde na reunião de coleção
Quando a curva vira rotina, decisões que travavam a reunião passam a ter resposta em minutos: quantas peças produzir de cada tamanho no lote inicial (a curva do histórico responde), qual tamanho merece reposição prioritária (o realizado das duas primeiras semanas responde), e se vale abrir grade estendida numa linha (a demanda reprimida — pedidos de tamanho que você não tinha — responde). O registro do que os lojistas pedem e não encontram é dado precioso: cada "tem GG?" anotado no WhatsApp é pesquisa de mercado gratuita apontando a próxima grade.
Regra final: mudança de curva se faz um passo por vez. Ajustes graduais coleção a coleção acompanham o corpo real da sua base de clientes sem apostar a produção numa virada brusca.
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