Juruaia: a Capital da Lingerie do Brasil (história e números do polo)
Por que a pequena Juruaia, no sul de Minas, virou a Capital da Lingerie — a história do polo, os números da moda íntima e o que a sua confecção pode aprender com ela.
Imagem gerada com inteligência artificialJuruaia, no sul de Minas Gerais, é conhecida como a Capital da Lingerie: uma cidade de pouco mais de 11 mil habitantes que concentra mais de 200 confecções de moda íntima e é apontada como um dos maiores polos do país. Em pouco mais de duas décadas, o município trocou a economia do café pela costura e transformou a lingerie na sua principal atividade — hoje um destino de compras no atacado e de turismo de negócios.
Como Juruaia virou a capital da lingerie?
A virada começou nos anos 1990. Segundo relatos da própria cidade, por volta de 1992 chegaram as primeiras máquinas de costura e um trabalho de capacitação das mulheres da região; as primeiras empresas de confecção fecharam em pouco tempo, mas serviram de escola — as ex-costureiras abriram os próprios negócios. No fim da década, com o café em baixa, a lingerie já era a nova vocação econômica de Juruaia.
O traço mais marcante desse polo é quem o comanda: a maioria das confecções é liderada por mulheres, muitas nascidas dentro de casa e escaladas até virar fábrica. É empreendedorismo feminino como motor de uma cidade inteira.
Juruaia em números
Os dados abaixo são estimativas de fontes locais (associação comercial e imprensa da região) e variam de uma publicação para outra — servem para dimensionar o polo, não como número oficial fechado:
| Indicador | Estimativa |
|---|---|
| Habitantes | ~11 mil |
| Confecções de moda íntima | +200 |
| Empregos ligados ao setor | ~5.000 |
| Negócios liderados por mulheres | ~95% |
| Produção estimada | ~20 milhões de peças/ano |
| Posição no país | Um dos maiores polos de moda íntima do Brasil |
O que se produz e como se vende
Juruaia vende no modelo que atrai o lojista: lingerie direto da fábrica, a preço de atacado. Boa parte das confecções recebe compradores na própria cidade e abastece revendedores de todo o Brasil. É um ecossistema completo — fabricação, showrooms e uma feira própria que reúne o setor.
- Moda íntima — o carro-chefe: calcinhas, sutiãs, conjuntos.
- Linhas vizinhas — moda praia, fitness, pijamas e homewear, que muitas fábricas agregaram ao mix.
- Canal atacado — venda por grade para lojistas, o que aproxima Juruaia do público que a Space Result atende.
Os recordes que colocaram Juruaia no mapa
Para se firmar como destino, a cidade apostou em monumentos gigantes de lingerie — a estratégia declarada de virar a "Itu da lingerie". São dois recordes certificados pelo RankBrasil como os maiores do Brasil: um sutiã gigante (de 2015, com mais de 15 metros de largura) e, depois, a maior calcinha fio dental do Brasil, que rendeu à cidade até uma aparição no Fantástico. Viraram cartão-postal e ímã de imprensa.
Um polo não nasce de uma fábrica grande — nasce de muitas pequenas que aprenderam a produzir, a vender e a aparecer juntas.
Juruaia e o mapa da moda íntima no Brasil
Juruaia não está sozinha, mas ocupa um lugar de destaque. O Brasil tem outros polos fortes de moda íntima — Nova Friburgo (RJ) é o mais citado ao lado dela —, e entender esse mapa ajuda tanto o lojista que compra quanto a confecção que quer se posicionar. O diferencial de Juruaia é a densidade: muitas fábricas pequenas e médias no mesmo lugar, o que cria variedade de produto e poder de barganha para quem vai comprar.
Para a marca, há uma leitura estratégica nisso. Estar num polo reconhecido é um ativo — dizer "somos de Juruaia" comunica tradição em lingerie —, mas também significa concorrência de porta em porta. Quem cresce é quem consegue ser encontrado fora do polo, por lojistas de outros estados que nunca vão pisar na cidade.
O que a sua confecção pode aprender com Juruaia
O caso de Juruaia mostra que produzir bem é só metade do jogo: o que sustenta o polo é a capacidade de atrair comprador e vender no atacado de forma organizada. Para uma confecção que quer crescer além da própria cidade, os próximos passos são conhecidos:
- Estruturar a atração de lojistas e revendedores em vez de depender só de quem passa na porta.
- Montar um marketing de confecção que gera demanda previsível.
- Profissionalizar a venda B2B — do WhatsApp e showroom virtual ao pós-venda.
É exatamente esse sistema — do diagnóstico à escala — que estrutura o Método SPACE, e que leva uma marca de moda íntima a vender para todo o Brasil, não só para quem já conhece o polo.

